DELAS e DELES

Coletânea de Textos, Filmes, Músicas, Imagens e Poesias (WEB)

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Categoria: DELAS & DELES

25.08.08

Texto Miopia Amorosa - Fábio Hernandez

categorias: DELAS & DELES

Escrito por Fabio Hernandez - 11/08/2008

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Miopia amorosa

Meu tio Fábio, falecido homem sábio do interior, certa vez me disse o seguinte: “Mantenha distância de mulheres que usem muito as palavras ‘eu’, ‘meu’, ‘minha’. Prefira as que falem ‘nós’, ‘nosso’ e ‘nossa’. Algumas vezes não segui os conselhos de tio Fábio, Deus o tenha. E nessas vezes todas vezes me dei mal. Topei com mulheres egocêntricas, para as quais poucas coisas, se é que alguma, importavam além delas mesmas. (A advertência de tio Fábio se aplicaria perfeitamente também para as mulheres. Fosse eu Fabia, não Fabio, ele certamente diria para fugir de homens que despejam pela boca ‘eu’, ‘meu’, ‘minha’.)

A boa relação amorosa só é boa porque os dois pensam menos em seus interesses pessoais e mais nos interesses de ambos. Não estou dizendo aqui, longe disso, que você deve abdicar de suas vontades. Quando você faz isso começa a morrer. O que estou propondo – aliás, nem sou eu, mas tio Fabio - é que se levem em consideração as vontades dos dois. (E lá vou eu para mais uma digressão. Um amigo meu, Carlos, um grande cara, sempre bem-humorado, gosta de contar sorrindo que sua namorada joga fora seu exemplar da Playboy quando o vê com a revista. Um dia esse sorriso fatalmente desaparecerá. Carlos abdicou de sua vontade. E foi ajudado por uma namorada que diz copiosamente ‘eu’, ‘meu’ e ‘minha’. Namoros assim não podem dar certo. E não dão.

Você tem que doar algo no amor. E a mulher também tem que doar algo a você. O grande amor, o amor verdadeiro, é essencialmente solidário e altruísta. Ela quer sair pra dançar. Você quer ficar em casa comendo pipoca e vendo o teipe de um jogo do campeonato italiano. É uma situação absolutamente normal. Banal. Ela se complica quando nem você consegue enxergar o desejo dela (e concordo que sair para dançar é um grande mico, sobretudo quando se pode ver o teipe de um jogo e há um saco de pipoca louco pra ser posto no microondas), nem ela o seu. Os dois são, nesse caso, amorosamente míopes. E não há nada, nem mesmo uma abrasadora química que leva a um sexo extasiante, que resista à miopia amorosa. O míope amoroso só vê a si próprio. E depois, quando as coisas não dão certo, atribui toda a responsabilidade à outra parte.

Permissão para mais uma digressão? Gracias. O míope amoroso (homens e mulheres estão incluídos nessa categoria, evidentemente) jamais limita sua miopia ao campo do amor. Estende a todas as outras atividades. No trabalho, o chefe é, para ele, sempre um tirano injusto. E o colega, na visão parcial e distorcida dele, está sempre pronto para puxar seu tapete. Quando um projeto fracassa, a culpa é jamais do míope. O míope amoroso é míope profissional também. O mundo o persegue, cruel como um cossaco russo, para usar uma expressão clássica de tio Fabio. (Jamais soube se os cossacos russos eram cruéis mesmo. Mas não faz mal. Se tio Fabio falou, para mim, já é mais que o suficiente.)

Reconhecer uma mulher que só pensa nela mesmo é fácil. Ela pode ser esperta o bastante para não abusar do uso de ‘eu’, ‘meu’ e ‘minha’. Mas numa conversa, quando você estiver falando de suas coisas, os olhos dela rapidamente voarão para um ponto bem distante. Ela não prestará atenção senão no que disser a respeito ela mesma. A mulher de vista plena, em oposição à míope, olhará fixamente nos olhos. Ouvirá com devoção cada palavra que você disser, mesmo que não concorde com nada. E depois será capaz de reproduzir suas falas nas vírgulas. Os relacionamentos são todos difíceis, sabemos nós. Mas são simplesmente impossíveis quando a seu lado está uma míope amorosa. Aí, por mais esforço que você dedique ao namoro, por mais empenho que tenha para que as coisas funcionem, se tratará de mais um triunfo da esperança sobre a experiência, para usar a clássica expressão do Dr. Johnson.

do blog O HOMEM SINCERO [LINK]

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Do mesmo autor:

Título: Confissões de um Homem Sincero - Col. Sabor da Paixão 1
Autor: Hernandez, Fabio
Editora: Camarinha

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  • Postado em 18:49:08

27.06.08

Texto de Victor Chaves

categorias: DELAS & DELES

Medo ou Amor?

<< Assim como dois caminhos não podem ser seguidos ao mesmo tempo por uma única pessoa, duas escolhas sobre um mesmo tema não podem ser feitas.
Aquele que vai à guerra por sentir-se cumprindo seu dever patriota, não pode, ao mesmo tempo, ficar ao lado da esposa e de sua família.
Quem escolhe continuar, não pode, simultaneamente permanecer. A vida é uma constante troca de uma coisa por outra e é importante aceitar isso.
Quando o caminho bifurca e o destino faz uma pergunta, qual a melhor escolha?
Em qualquer espaço ou tempo, pergunte-se: “O que o amor faria?”
A resposta a esta pergunta poderá tirar-lhe do ardor de diversas consequências advindas de uma escolha mal feita. O amor cabe em qualquer lugar e hora, permanecendo como a mais acertada forma de ser e fazer feliz.
Qualquer outra escolha que não seja por amor, certamente será por medo. Você está se perguntando: “Medo?”.
Se o medo de perder o que nem é seu se chama ciúme, o amor ao direito de simplesmente escolher estar ao lado chama-se liberdade. Se o medo de admitir que você também erra chama-se rancor, a amorosa visão de que ninguém é melhor que ninguém chama-se perdão.
Se formos pensar, tudo o que não nos faz bem são medos disfarçados e tudo o que nos torna melhores e felizes é o amor.
Medo de si mesmo é não gostar-se e aí, é bom saber que você pode reinventar-se a todo momento. Amor por si mesmo é gostar-se e aí, a energia contagiante de fazer com que todos ao seu redor sintam-se atraídos por você, chama-se auto-estima.
O que você tem escolhido? Na hora de viajar, por exemplo, pergunte-se: Estou deixando de ir por medo, estou indo por medo, estou ficando por amor ou estou indo por amor? E lembre-se, amor é algo que só pode existir, quando antes existe por você próprio. Ame-se mais para amar mais. Não ama, apenas acha que ama, aquele que diz que ama mas nem sabe o que é amor próprio.
Medo ou amor? A escolha é sua e cada segundo de sua vida lhe perguntará isso. >>

(Victor Chaves)

fonte: http://www.victoreleo.com/index_site.php

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  • Postado em 23:38:04

20.08.07

A mulher bem resolvida...

categorias: DELAS & DELES

   À procura da mulher bem resolvida
em: 14/3/2007

 

fonte: http://www.bemresolvida.com.br/pensata.asp?p=Comportamento&sp=Pensata&t=41

.

"A mulher bem resolvida não anda por aí, dando sopa. É verdade. Porque mulher resolvida mesmo já resolveu tudo, inclusive com quem compartilhar o travesseiro. É independente, inteligente, bem sucedida e não é carente, já que para ser bem resolvida tem que começar resolvendo as coisas do coração.

Mulheres que andam por aí, queixinho empinado e fazendo pose, não são bem resolvidas. A mulher bem resolvida não posa, ela é. Já resolveu que pose não adianta, que cabeça dura não adianta e fingir que não se emociona também não. Também já desistiu de debulhar lágrimas à toa, para tentar comover. Se fizer isso, é pessimamente resolvida.

Houve quem achasse, na época do feminismo - que Deus o tenha ou que o Diabo o carregue - que mulher bem resolvida era aquela que se resolvia sem homem. E, antes delas, houve aquelas que achavam que só se resolveriam com homem. Nenhuma das duas se resolveu. Mulher (assim como homem) precisa experimentar uma relação estável para se resolver, aprender a necessidade de trabalhar um relacionamento todos os dias, de conquistar o ser amado a cada segundo. Mas não pode se render totalmente a ele.

Acho que foi Kahlil Gibran quem disse que uma união a dois é como duas colunas, que só sustentam uma edificação porque se mantêm, ao mesmo tempo, juntas e separadas. A mulher bem resolvida sabe disso muito bem. Sabe que combinar diferenças é bom, lidar com antagonismos é bom. É assim que a gente cresce e amadurece. Por isso, dentro de um relacionamento, ela se mantém íntegra, fiel a si mesma, sem se desfigurar para agradar o outro.

E, ao agir assim, a mulher bem resolvida acaba atraindo homens bem resolvidos, capazes de amar, se emocionar sem dar uma de durão ou virar chato pegajoso. Os que não são bem resolvidos, assim você os reconhece, vivem oscilando de um extremo a outro, numa dança de bêbados. E nessa dança se agarram a outros na mesma situação e vão cambaleando pela vida.

Sim, ser bem resolvida (o) não é ficar pulando de galho em galho para se fingir de moderna (o). Quem é de todo mundo e não é de ninguém está longe de ser bem resolvido. Porque para ser bem resolvida é preciso ser capaz de se entregar, é preciso ter coragem de enfrentar os desafios que uma vida a dois impõem, de cultivar uma planta extremamente caprichosa chamada intimidade.

Intimidade é um negócio que só floresce com o tempo, que exige zelo e cuidado de jardineiros fiéis, determinados, perseverantes. Mulheres bem resolvidas – e os homens que as amam – sabem cultivar intimidade e sabem que ela não brota do acaso de uma paixão, mas exige um solo limpo, fértil e cultivado de um amor construído, tijolinho por tijolinho.

Claro que ser bem resolvida ou bem resolvido não é uma situação assim estável, pronto, acabou. No fundo, no fundo, somos todos seres em processo, works in progress, resolvendo-nos passo a passo, à medida em que descobrimos nosso espaço no mundo e a melhor maneira de nos posicionarmos nele. Todo mundo cai de vez em quando, inclusive os que chamamos de bem resolvidos. A diferença é que uns ficam sentados se descabelando à beira do caminho quando alguma coisa dá errado. E outros se levantam, sacodem a poeira e dão a volta por cima.

Você conhece alguma mulher bem resolvida? Ah, então me dá o telefone dela! Não é por nada, não. Só amizade. É que às vezes faz uma falta enorme conversar com gente assim! "


 Wilson Bentos é malabarista e jardineiro. Equilibra- se na vida, de vez em quando cai, mas não desiste. Cultiva buquês de amigos, rosas de gente e até ervas daninhas. Porque acredita que até os espinhos hão de florescer um dia. Já foi pantaneiro, mineiro, cearense e até africano. Misturou tudo isso, bateu no liquidificador e tomou na veia. Nunca mais foi encontrado em sã consciência.

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14.08.07

A Importância de dizer EU TE AMO

categorias: DELAS & DELES

                    

Como dizer "eu te amo" 

ESSA FRASE soa como música aos nossos ouvidos. Mas você prefere demonstrar o que sente de outras maneiras? Aqui vão dois comentários que também farão os olhos dela brilharem.
Karina Hollo

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Com elogios

Talvez você já tenha comentado que acha sua namorada a garota mais linda do mundo. Mas isso não é suficiente. "A mulher precisa perceber que você a valoriza pelo que ela realmente é", explica Linda Olson, terapeuta especialista em relacionamento. "O melhor é elogiá-la sobre a qualidade menos óbvia e que para você signifique muito", continua. A risada gostosa, a educação com que trata o porteiro, a santa paciência com crianças...

Falando do futuro

Como você visualiza sua vida daqui a cinco anos? Deseja abrir um negócio? Se já pensou a esse respeito, sua namorada vai adorar ouvi-lo. "Quando divide sonhos de longo prazo, reforça o vínculo e permite que ela perceba características suas que não mostra no dia-a-dia", garante James Sniechowski, co-autor de The Smart Couple's Guide to the Wedding of Your Dreams (o guia do casal esperto para o casamento dos seus sonhos).

http://nova.abril.com.br/edicoes/393/aberto/amor_sexo/conteudo_138087.shtml

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Os diversos caminhos para dizer "eu te amo"

Por Roberto Shinyashiki

O ser humano só pode existir em paz consigo mesmo se puder se relacionar com uma pessoa a quem diga, com palavras e gestos, "eu te amo" e de quem ouça com total sinceridade: "Eu também te amo".
Mas amar supõe evoluir todos os dias, conhecer o outro cada vez melhor, construir com ele um lugar no mundo em que as pessoas, ao entrar, sentirão que ali existe vida, carinho sincero, vontade de acertar.

Nos momentos de crise ou de mágoa, dizer "eu te amo" ao parceiro é ter a coragem de lhe dizer que ele fez algo de que você não gostou. Nos momentos de alegria e êxtase, dizer "eu te amo" é saber compartilhar essa alegria com quem você ama, abrindo seu coração sem reservas. Nos momentos de dor, dizer "eu te amo" é talvez não dizer nada, mas deixar evidente ao outro que você está ao seu lado aconteça o que acontecer. Nos momentos em que você perceber que errou, a melhor maneira de dizer "eu te amo" é simplesmente dizer: "Desculpe pelo meu erro". Nos momentos em que o outro errou, e está triste porque cometeu o erro, a melhor maneira de dizer "eu te amo" é se aproximar lentamente dele, colocar a mão em seu ombro e dizer suavemente: "Tudo bem, já ficou para trás".

Amar pode dar certo é a frase mais simples possível para traduzir a convicção de que nascemos para amar e ser amados, e que nossa felicidade consiste em realizar essa missão.

Todos os seres humanos possuem um grande objetivo na vida: viver em estado de pleno amor. Talvez poucas pessoas estejam conscientes da importância que o amor tem ou pode ter em sua existência. Alguns vivem o amor em sua plenitude pelo simples fato de dispor dele em abundância. Aprenderam a amar, a se entregar ao ser amado e a estabelecer relacionamentos criativos.

Permita-se assumir o risco de demonstrar seu amor, mesmo que a outra pessoa não vá aceitá-lo, porque amar alguém não é um problema nem um defeito; é uma virtude. Se ela não aceitar o seu amor, o problema não é seu, pois, uma vez que você descobriu o jeito de amar, ficará faltando apenas encontrar um companheiro para a viagem a dois.

Olhar para o passado é importante. Quem não sabe de onde veio e o que fez também não sabe para onde vai e o que vai fazer. Mas eu gostaria, sobretudo, que você olhasse para o seu presente, para a pessoa que está ao seu lado, e repetisse em seu coração alguma frase ou idéia que achou mais importante dentre tudo o que leu aqui.

Se você está só, abra o seu coração, coloque um sorriso no rosto, retome o brilho nos olhos e acredite que a vida lhe prepara maravilhosas surpresas. Tenho a esperança de que com esta nossa conversa você tenha conseguido mais energia e inspiração para desfrutar melhor o amor, uma realidade valiosa demais para ser banalizada.

E lembre-se: você é o autor da sua vida e é capaz de escrever uma história de amor muito linda, na qual receba e dê muito amor. Saiba sempre que amar pode dar certo, desde que você cuide do amor com muito carinho e sabedoria.

O amor é eterno e maravilhoso em sua essência, capaz de realizar as mais importantes transformações em um ser humano, mas as pessoas atualmente se machucam muito porque não aprenderam a amar de uma forma plena.

O problema não está no amor. O ser humano não consegue ser feliz sozinho. Desistir de amar é deixar de lado uma parte fundamental da própria vida, e por isso mesmo é triste ver tantas pessoas tratarem o amor com desprezo, acharem as manifestações de romantismo algo feio e, principalmente, desistirem de viver um grande amor.

Chega de pessimismo!

Vale a pena amar, acreditar no amor, entregar-se ao amor. O otimismo no amor significa acreditar que, apesar de todas as dificuldades, o amor satisfaz os nossos mais profundos desejos de compreender e ser compreendido, de valorizar e ser valorizado, de dar e receber. Por favor, acredite sempre no amor e respeite a sua vocação para amar e ser amado.
http://www1.uol.com.br/vyaestelar/eu_te_amo.htm

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Livro ensina 99 maneiras de dizer "eu te amo"
Folha Online 14/02/2007

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u50927.shtml

                                     

Para quem quer surpreender, o livro "Eu Te Amo - 99 maneiras de declarar seu amor", editado pela Publifolha, ensina formas bem-humoradas, criativas e às vezes completamente malucas de fazer uma declaração de amor. São 99 maneiras de expressar o sentimento. 



imagem: http://pwp.netcabo.pt/cris_gp/images/sentimentos.jpg

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01.08.07

Por que ainda somos tão românticas?

Por que ainda somos tão românticas?

Texto: Cacilda Guerra
http://bonsfluidos.abril.com.br/livre/edicoes/0100/02/02.shtml


Era uma vez um jovem de um vilarejo inglês que partiu para uma viagem cheia de perigos rumo a um reino habitado por bruxas, fadas, magos, duendes e unicórnios. O motivo: buscar uma estrela cadente para presentear a mulher amada. O enredo faz parte do universo dos contos de fadas, só que em versão para adultos. Trata-se de Stardust ­ publicado em 2001 pela ed. Conrad e escrito por Neil Gaiman, o queridinho do mundo dos quadrinhos. No cinema, ­ o filme tem um elenco de grandes nomes: Michelle Pfeiffer, Robert de Niro e Claire Danes.


Em meados dos anos 1980, o roteirista Neil Gaiman lançou seu primeiro livro de quadrinhos pelo selo Vertigo, da americana DC Comics. A idéia era agradar ao público já crescido, uma vez que a DC faz gibis de super-heróis. Deu certo, e exatamente porque Gaiman fisgou o leitor com suas histórias, que permeiam os contos de fadas, os sonhos e a magia, e agradou em cheio às mulheres, que têm se tornado, nos últimos anos, leitoras vorazes desse tipo de literatura. Como isso foi possível? Em Stardust, por exemplo, Gaiman explora com sensibilidade temas que, desde sempre, atraem o universo feminino: o romantismo, o príncipe encantado, a promessa de um grande amor.

                                   

                                              

"Stardust - O Mistério da Estrela Cadente", adaptação do romance de Neil Gaiman (autor das HQs "Sandman"). Estréia prevista nos EUA para agosto, e no Brasil o filme deve chegar só em outubro deste ano.

trailer do filme:

http://www.worstpreviews.com/trailer.php?id=505&item=0


(...) Em meio à conquista da mulher no mercado de trabalho, na política e áreas afins, fica difícil não questionar: por que, afinal, continuamos tão românticas?


ENREDO MELOSO
Atire o primeiro saquinho de pipoca quem, no escurinho do cinema, nunca se emocionou com uma história de amor bem contada. Do cult Casablanca ao recente Um Lugar na Platéia, passando por campeões de bilheteria, como Uma Linda Mulher e Quatro Casamentos e Um Funeral, os encontros e desencontros desses e outros enredos românticos nos tocam porque a vivência amorosa faz parte do repertório de experiências de pessoas de todas as épocas. Basta lembrar os inúmeros casais que povoam a imaginação desde tempos remotos: Ulisses e Penélope, Tristão e Isolda, Marco Antônio e Cleópatra, Abelardo e Heloísa, Romeu e Julieta, Cinderela e o Príncipe, Spencer Tracy e Katherine Hepburn... “Não importa se são pessoas reais ou fictícias, figuras históricas ou míticas. Suas paixões, êxtases, fidelidade ou traição, dores e despedidas, a história, enfim, desses amores exerce um profundo fascínio sobre todos nós”, escreve a psicóloga Noely Montes Moraes em seu livro Fica Comigo para o Café da Manhã (ed. Olho d’Água).
Embora o amor seja um fenômeno universal, Noely explica que ele adquire formas de expressão condicionadas pela cultura. Algumas, como filmes e músicas, têm uma influência limitada ao período de seu surgimento, enquanto os mitos e os contos de fadas, por abordarem aspectos perenes, ultrapassam a época e as fronteiras geográficas, inspirando o imaginário e o comportamento de inúmeras gerações.

ULTRA-ROMÂNTICOS
Herdamos um jeito de encarar o amor que, embora já aparecesse em algumas obras literárias de períodos anteriores, reinou com força total entre o século 18 e o 19, com o romantismo. Esse movimento estético criou um modelo de arte e estilo de vida cujas características principais eram a idealização da realidade, a tendência ao sonho e o predomínio do sentimento sobre a razão. O amor era sublime e rimava com dor, renúncia e, às vezes, até com morte. E, quando dava certo, era um passaporte para a felicidade, ainda que conquistado apenas depois de muito sacrifício.
Só que, nos contos e romances com final feliz, não aparece um detalhe fundamental: a vida continua depois do The End. Não existe o “foram felizes para sempre” como uma meta a ser alcançada e pronto, sem que seja preciso cultivar a relação no cotidiano. Além do mais, nem sempre o amor transcorre como pensávamos. Com o passar do tempo, as pessoas mudam, assim como as circunstâncias que envolvem a convivência a dois. Não é difícil supor, por exemplo, que Romeu e Julieta, se não tivessem tido um fim trágico, provavelmente viveriam às turras, um criticando a família do outro o tempo todo.
Contudo, por acreditar que a vida real deve seguir o mesmo roteiro da ficção, muitas mulheres criam expectativas exageradas sobre a realização afetiva, reunidas num pacote que inclui não só o amor eterno como também o parceiro ideal e o relacionamento perfeito. “Crescemos iludidas por esses contos e histórias, e precisamos nos desiludir, lidar com nossas questões amorosas no mundo real, não num mundo idealizado”, aconselha a psicóloga Lúcia Rosenberg. O que não significa, em absoluto, levantar e defender a bandeira do anti-romantismo, sufocar todo e qualquer sonho e abrir mão da capacidade de se deixar encantar.

MENOS AÇÚCAR, MAIS AFETO
Haveria, então, uma alternativa ao “romantismo água com açúcar”? A resposta é sim: um romantismo maduro, baseado na realidade da vida, e não em fantasias e desejos impossíveis de concretizar. Viver isso é cuidar de quem se ama, ter prazer em descobrir como o parceiro é e se permitir ser descoberta por ele, revelar-se (em vez de esperar que ele adivinhe) e permitir que ele se revele. É um encontro que se caracteriza pela maleabilidade, pela aceitação do outro, pela flexibilidade em saber fazer concessões.
Praticar esse romantismo maduro garante que a relação seja mais duradoura? Isso é um mistério. Que ajuda, não há dúvida, como exemplifica a psicóloga Lúcia: “Em geral, a primeira coisa de que as pessoas esquecem, depois de conquistar o parceiro e começar uma convivência mais íntima, é usar o ‘por favor’ e o ‘muito obrigado’, como se essas delicadezas não fossem mais necessárias. O romântico maduro faz diferente: se preocupa em demonstrar gentileza, em se cuidar para o outro. Com isso, a chama do amor tem boas chances de se manter acesa por anos”.
No entanto, pode acontecer de o casal estar atento a esses pequenos cuidados mútuos e, ainda assim, a relação chegar ao fim ­ e não necessariamente porque surgiu uma terceira pessoa. É que existe outra realidade que o romantismo água com açúcar, traiçoeiro como é, não nos ensinou a aceitar: como tudo que é vivo, o amor também morre. Mas ninguém precisa morrer junto com ele. É por isso que a gente parte para outras. Afinal, amar é bom e, pensando bem, por que não viver vários amores sucessivos, em vez de apostar apenas em um único, eleito como “o verdadeiro”? Para o romântico maduro, todos os amores, independentemente da duração, são sempre verdadeiros.

Sobre o filme: http://almanaquevirtual.uol.com.br/ler.php?id=6996

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